O Fim da Inimizade: Como Evito Lutar Contra Fantasmas
- Reildo Souza

- 8 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 10 de mai.
Alimentar uma inimizade dá um trabalho danado. É um dreno de energia e de tempo que a gente gasta sem perceber. Eu costumava achar que ter adversários era prova de que eu tinha personalidade. Hoje, vejo que era só o meu ego querendo um palco para brilhar.
Percebi que eu não precisava derrotar ninguém. A verdadeira vitória não é ganhar a briga, é fazer com que a dinâmica da inimizade deixe de fazer sentido. Olha como tenho tentado mudar esse jogo:
1. O problema não é o que dizem, é onde dói
Antigamente, se eu sentia que havia uma inimizade no ar, eu revidava na hora. Hoje, eu tento olhar para a minha própria "ferida". Se o comentário de alguém me tirou do sério, o problema não é só a boca alheia, é o meu calo.
Em vez de gastar toda a minha energia tentando calar o outro, procuro entender o que em mim ainda é tão sensível ao barulho externo. Quando a ferida cicatriza, a provocação perde o alvo.
2. Somos todos humanos em dia de fúria
A gente gasta um tempo enorme julgando quem é "tóxico" ou "atrasado". Mas a verdade é que as pessoas têm o direito de ter seus dias ruins, de serem confusas, chatas ou até agressivas. E eu também tenho.

Eu também erro, também perco a paciência e também tenho meus momentos de "amnésia" onde esqueço a minha essência.
Reconhecer que eu habito o mesmo território da imperfeição que o outro muda tudo. Não estou acima de ninguém; estamos todos no mesmo laboratório, tentando aprender a ser gente. Quando aceito a minha própria sombra, a sombra alheia para de me assustar tanto.
3. Mudar de assunto, não de patamar
Sabe aquela ideia de "vencer na vida e deixar os outros para trás"? Isso ainda soa como competição. O que eu busco hoje é foco, não superioridade.
Minha vida e meus projetos ficaram interessantes demais para eu gastar tempo no tribunal do julgamento. Eu não expulsei ninguém da minha vida e nem "subi de nível". Eu apenas mudei de assunto. A inimizade some quando você para de dar a ela o papel principal no seu roteiro.
4. Limites sem barulho (e sem portas trancadas)
Você não precisa de um megafone para dizer que alguém não faz mais parte do seu círculo íntimo. Às vezes, a gente só precisa de silêncio e distância para respirar.
Mas entendo que esse afastamento não precisa ser uma sentença final. As pessoas mudam, e eu também mudo. O que hoje é uma inimizade pode, amanhã, se transformar em um novo tipo de convivência. Estabelecer um limite agora é apenas dizer: "Neste momento, nossos caminhos não se cruzam de forma saudável". Se no futuro as condições forem outras e ambos estivermos em momentos diferentes, os níveis de amizade podem retornar sob novas bases.
Deixo a porta encostada, mas mantenho minha casa em paz.


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