Como Tenho Acabado com Meus Inimigos
- Reildo Souza

- 8 de jan.
- 3 min de leitura
Eu costumava acreditar que ter um inimigo era um sinal de força — um distintivo de honra que provava que eu defendia algo. Eu estava errado. Ter um inimigo é, na verdade, um vazamento nos meus custos fixos mentais. Cada minuto que passo sentindo animosidade é um minuto em que as ações de outra pessoa estão me governando.
Percebi que não preciso "derrotar" ninguém. Nem preciso que gostem de mim. Só preciso tornar obsoleta a capacidade deles de afetar minha paz. Veja como tenho redesenhado o mapa do meu mundo:
Parei de Confundir "Conflito" com "Inimizade"
Eu costumava levar as divergências para o lado pessoal. Agora, as vejo como dados. Se alguém se opõe às minhas ideias, não é meu inimigo; é um teste de estresse.
Se sinto uma pontada quando alguém me critica, isso é o meu ego, não a verdade.
Ao remover o rótulo de "inimigo", consigo realmente ouvir o que estão dizendo. Às vezes, meu "adversário" é a única pessoa corajosa o suficiente para me dizer a verdade que meus amigos são educados demais para mencionar.
A Regra de Robbers Cave: Busco a Missão, não o Homem
Aprendi com o Experimento de Robbers Cave que não se resolve o ódio apenas com conversa. Naquele estudo, dois grupos de meninos se odiavam até que tiveram que consertar juntos um cano de água quebrado. Agora, quando me vejo em um impasse, não pergunto: "Como podemos ser amigos?". Eu pergunto: "Qual é o 'cano quebrado' que ambos precisamos consertar?". Se eu encontrar um objetivo comum, a animosidade evapora porque se torna um obstáculo ao progresso. Se não houver objetivo comum, eu não luto; eu simplesmente me afasto.
Estabeleci "Limites Fantasmas"
Eu pensava que limites eram sobre dizer "Não" ou "Não faça isso" às pessoas. Isso dá trabalho demais. Agora, estabeleço limites que não exigem a permissão da outra pessoa.
Baixo Risco, Sem Acesso: Posso ser perfeitamente civilizado, até "amigável" em uma conversa, sabendo internamente que nunca confiarei meu coração ou meus negócios a essa pessoa.
Política de Animosidade Zero: Não guardo mágoas porque não tenho espaço para elas. Mágoas são como beber veneno e esperar que a outra pessoa morra. Eu escolhi parar de beber.
Não Espero que Eles Mudem
Este era o meu maior ponto cego. Eu achava que a paz dependia de a outra pessoa "enxergar a luz". A Verdade: Eu não sou terapeuta do mundo. As pessoas podem ser tóxicas, estagnadas ou cruéis, e essa é a jornada delas, não a minha. Ao me recusar a ser o "inimigo" delas, paro de participar do drama. Não estou esperando que elas se tornem pessoas melhores para eu me sentir em paz. Estou em paz agora porque pedi demissão da guerra.
Eu Defendo Alguma Coisa?
Tenho que me fazer a pergunta difícil: se não tenho inimigos, sou apenas um "cara legal" evitando o conflito? Decidi que continuarei defendendo meus princípios. Se defender a verdade cria "inimigos" aos olhos dos outros, o problema é deles. Eu não vou odiá-los de volta. Serei um Adversário Civil — alguém que pode discordar fundamentalmente enquanto permanece inteiramente calmo.
A Nova Conclusão
Eu não "faço amigos" para acabar com inimigos. Eu os supero. Eu avanço tanto no meu próprio caminho de crescimento que as pessoas que costumavam me incomodar agora são apenas figuras distantes em uma paisagem que eu já deixei para trás.

Tenho acabado com meus inimigos ao perceber que eles só existiam porque eu lhes dei uma cadeira à minha mesa. Eu peguei a cadeira de volta.
Onde Isso se Conecta com Você (Desafio do Coach)
Este texto é o complemento perfeito para a análise da inveja que fizemos antes. Se a inveja é o GPS para o que você quer, a inimizade é a âncora que te prende ao que você odeia. Ambos focam no "outro" em vez de focar no seu progresso.
Muitas vezes, mantemos inimigos porque é mais fácil lutar contra alguém do que enfrentar o vazio de não ter um propósito claro.
Fonte: Para entender a base científica citada, veja este resumo sobre o Experimento de Robbers Cave (Simply Psychology), que demonstra como metas superordenadas (o "cano quebrado") reduzem o preconceito entre grupos.
Pergunta para sua reflexão: Quem é a pessoa que hoje mais drena sua energia mental? Usando a lógica acima, qual seria o "limite fantasma" que você poderia aplicar hoje mesmo para retomar sua cadeira?

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