A Biologia da Ambição: Por que sua inveja não é vergonha — é o grito do seu eu que ainda quer mais
- Reildo Souza

- 5 de jan.
- 4 min de leitura
Olha, vou ser sincero com você: a gente vive numa cultura que transformou o amor-próprio em um meme. Em uma selfie com filtro, em uma frase bonita no espelho, em um “me aceito como sou” que, na prática, pode ser só desculpa pra não mudar nada. Mas eu tô aqui pra te cutucar: isso pode não ser amor. Pode ser abandono.
Amar de verdade é brigar por você. É não aceitar menos do que você sabe que pode ser. E, nessa briga, a inveja não é o vilão. É o sinal de fumaça. É o seu eu ferido gritando: “Ei, eu ainda tô aqui, e eu quero mais.”
Quando você sente aquele aperto no peito vendo alguém ganhar o que você queria, não é só “má vontade”. É o seu cérebro chamando sua atenção. É dor real. É biologia. E, se você tiver coragem de ouvir, ela vai te mostrar exatamente onde você parou de se escolher.
1. Aquela pontada no peito? É o seu cérebro te dando um tapa.
Sabe quando você vê alguém com o corpo, o cargo, a vida que você queria e sente como se tivesse levado um soco? Não é drama. É ciência.

Seu cérebro não separa dor emocional de dor física. De acordo com pesquisas destacadas pela Scientific American, a inveja ativa o córtex cingulado anterior dorsal, a mesma região que registra uma facada ou uma queimadura de verdade.
A diferença é: em vez de você reagir, você se culpa. “Ah, não posso sentir isso, é feio.” Mentira. Se dói, é porque ainda importa. Se você sente inveja, é porque ainda tem fogo dentro de você. O problema não é sentir; é fingir que não sente e deixar o tempo passar enquanto a ferida vira uma cicatriz de amargura. Amar-se é respeitar essa dor e entender que ela é um aviso: “Você é melhor que isso. Levanta.”
2. A inveja é um GPS: ela mostra o que você abandonou em você.
Você não inveja qualquer um. Você não inveja um mestre de xadrez se nunca quis tocar em uma peça. Você inveja o amigo que escreveu o livro que você sempre disse que “um dia” escreveria. Você inveja a colega que mudou de hábito — não porque você queira ser ela, mas porque sabe que podia ter cuidado de você também.
Cada pontada de inveja é um X no mapa: “Aqui foi onde você parou de se escolher.” Olha pra isso. Chora se precisar. Mas não olhe para o lado — olhe para dentro. A pergunta não é "por que ele?", mas "o que eu estou evitando enfrentar?".
3. Torcer pro outro cair não te ergue. Só te faz menor.
Tem gente que acha que amor-próprio é ver o outro falhar e sentir alívio. “Ah, pelo menos não sou só eu.” Isso não é amor; é fome. É você tão faminto por vitória que se contenta com as migalhas do fracasso alheio.
A ciência chama o prazer no erro do outro de Schadenfreude, e ele ativa o sistema de recompensa do cérebro (corpo estriado ventral). Mas olha: quando você sente esse prazer, você não subiu um degrau. Só fingiu que o mundo ficou mais plano. Amor-próprio de verdade não precisa que o outro diminua para você se sentir grande. Ele quer que você cresça tanto que o sucesso alheio vire apenas paisagem ou aprendizado.
4. Como virar o jogo: um passo por dia, sem teatros.
Não adianta só refletir. A inveja é energia parada. E energia parada vira veneno. Para transformar isso em progresso real, siga este protocolo:
Respire e assuma: “Isso dói porque eu quero mais. E tudo bem sentir isso.” Tire o peso da moralidade e coloque o peso da biologia.
Desmonte o mito: A pessoa que você inveja não é perfeita. Ela só resolveu problemas dos quais você ainda está fugindo. Estude o que ela faz. Quais são os hábitos dela às 6 da manhã? Como ela lida com a rejeição?
Mova-se em 15 minutos: Toda vez que sentir inveja, faça algo — qualquer coisa — que te aproxime do seu objetivo. Agora. Não “depois”. Quinze minutos de ação quebram a inércia e sinalizam para o seu cérebro que você retomou o comando.
De amigo para amigo:
Se você ainda sente inveja, parabéns. Significa que você não desistiu. Mas, se você só sente e não age, então você está usando o "amor-próprio" como desculpa para continuar pequeno.
Amar-se é tratar a si mesmo como alguém por quem você é responsável. E quem a gente ama, a gente não deixa estagnado. Da próxima vez que bater aquela pontada, não se esconda. Agradeça. É o sinal de que você ainda tem muito para conquistar — e ainda está vivo para isso.
Qual é a primeira ação de 15 minutos que você vai fazer hoje para responder a essa dor? Me diga o que é e vamos transformar esse incômodo em autoridade.
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